terça-feira, 25 de setembro de 2012

O que devemos saber sobre Filtro Solar, FPS, bronzeamento...






Devido à grande quantidade de dúvidas a respeito de filtros solares, escrevo este post abrangendo diversos aspectos, como:

  • Por que usar filtro solar?
  • Processos de bronzeamento da pele
  • Preciso usar filtro todos os dias?
  • Qual a diferença entre filtro solar, protetor solar e bloqueador solar?
  • Pessoas de pele negra precisam usar filtro solar?
  • Como o filtro solar filtra a radiação?
  • Por que tantas pessoas têm preconceito quanto ao uso de filtros solares?
  • O que é FPS?
  • Quais os fatores de proteção solar (FPS) são os mais indicados?
  • Mitos e verdades


Por que usar filtro solar?

Acredito que, hoje em dia, todas as pessoas que usam a internet e assistem à TV têm acesso a todo tipo de informação. Então, certamente já ouviram falar sobre a necessidade de se usar filtro solar. Mas muitas não sabem exatamente os motivos para isso. Pensam que ele deve ser apenas usado na praia, por pessoas muito brancas, para evitar queimaduras. ERRADO!!! Isto é apenas 1 bom motivo para usar, mas existem muitos outros!

O nosso queridíssimo sol emite uma enorme variedade de radiações, como: raios gama, raios-X, micro-ondas, ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB), ultravioleta C (UVC), luz visível, infravermelho... Todas elas são ondas eletromagnéticas, e são separadas pelos comprimentos de suas ondas. Como um exemplo rápido, você vê duas cores diferentes, como o vermelho e o verde, porque elas são de comprimentos de onda diferentes. É a única diferença entre elas, além da quantidade de energia carregada pela onda, que também varia, sendo maior quanto menor for o comprimento da onda.

Pois bem. Para o nosso assunto, vamos nos ater apenas ao ultravioleta. As ondas ultravioleta são separadas em A, B e C, sendo a A de maior comprimento e a C, a de menor comprimento (e mais energética). A ultravioleta C praticamente não atinge a superfície da Terra, porque é barrada pela camada de ozônio (olha aí a importância de a preservarmos!). Então, sobram a UVA e a UVB. Estas são as principais responsáveis pelos efeitos benéficos e maléficos do sol sobre o nosso corpo. Elas são emitidas o tempo todo, entretanto a UVB tem maior incidência entre 10h e 15h (por isso que ouvimos tanto que devemos evitar tomar sol neste período).

As pessoas que não são muito clarinhas, quando vão à praia, no primeiro dia já estão mais escuras.  Isso acontece porque os raios UVA são os responsáveis por escurecer o pigmento que dá cor à pele, a melanina. Este processo é chamado de pigmentação primária. Veja bem: a pessoa já tem a melanina formada, e esses raios a escurecem. O escurecimento, no entanto, dura poucos dias. Porém, têm seu lado ruim. Embora não causem queimaduras, o problema deles é que seus efeitos vão se acumulando, e depois de muitos anos, vão aparecer o envelhecimento, câncer e manchas na pele.

Preste atenção na foto deste homem que, por 28 anos, trabalhou como caminhoneiro, expondo principalmente o lado esquerdo de seu rosto ao sol.


Esta diferença entre os lados é o envelhecimento causado pelos raios UVA.


Quando as pessoas passam uma temporada na praia, e voltam bronzeadas, isso foi ação dos raios UVB. Eles promovem a fabricação de mais melanina, após a pele receber exposição diária. É chamada de pigmentação secundária, e é muito mais duradoura que a primária, podendo durar muitos meses. É ela também que permite à pele formar a vitamina D. Todavia, são os raios UVB que são responsáveis pelas queimaduras solares, e também câncer de pele. 


Queimaduras no rosto e braços causadas pelos raios UVB


A produção de melanina, que acontece após a exposição prolongada ao sol, é uma tentativa de proteção de nosso organismo contra uma agressão. Sim, agressão, pois a radiação provoca mutações no DNA das células. Tanto que a melanina fica exatamente numa posição acima do núcleo celular, de modo a filtrar a radiação antes de ela atingir o núcleo. Mas a proteção da melanina é muito limitada.

Ufa! Depois de tanto texto, afinal, por que usar filtro solar? Porque ele filtra a maior parte dos raios UVA e UVB, e evita que os efeitos maléficos apareçam.

Preciso usar filtro todos os dias?

Digamos que você mora e trabalha em São Paulo (não tem praia!). É inverno, e o tempo está nublado. Não precisa usar filtro, certo? ERRADO! Embora você não consiga enxergar o sol, ele está lá, e uma grande parte dos raios ultravioleta passa através das nuvens. E essa radiação, dia após dia, vai se somando, até que um dia aparece um câncer de pele, manchas, envelhecimento. Então devemos sim usar filtros todos os dias, se quisermos evitar estes problemas.

Qual a diferença entre filtro solar, protetor solar e bloqueador solar?

Não existe. As diferenças são meramente comerciais. Algumas pessoas classificam produtos abaixo de FPS 15 como protetores, entre 15 e 30, filtros, e acima de 30, bloqueadores. Como não existe nenhum produto que bloqueie totalmente a radiação solar, este nome é incorreto, e pode fazer com que o consumidor sinta-se totalmente protegido, o que não ocorre de fato.

Pessoas de pele negra precisam usar filtro solar?

Embora elas tenham uma proteção natural maior do que as pessoas brancas, não estão imunes aos efeitos dos raios solares. Portanto, devem também usar filtros.

Como o filtro solar filtra a radiação?

Existem 2 tipos de filtros solares: filtros físicos e filtros químicos. A maioria dos produtos de proteção solar que compramos combina estes 2 tipos. Os filtros físicos são partículas, geralmente de dióxido de titânio e óxido de zinco (veja os ingredientes do seu filtro!), que refletem e espalham as radiações solares, evitando que elas cheguem à pele. Já os filtros químicos, ao receberem a radiação, sofrem uma modificação em suas moléculas, e transformam a radiação ultravioleta em outra mais inofensiva. Alguns exemplos de filtros químicos: metoxicinamato de octila, avobenzona, benzofenona.

Por que tantas pessoas têm preconceito quanto ao uso de filtros solares?

Acho que só há uma explicação para isso: ignorância. Se as pessoas entendessem tudo o que foi explicado aqui, saberiam que não é frescura usar filtros. Tudo bem, concordo que é chato mesmo ficar passando filtro, mas é necessário...

O que é FPS?

FPS é a sigla para Fator de Proteção Solar. Este fator é calculado da seguinte forma: voluntários aplicam uma certa quantidade de filtro solar numa parte do corpo, e deixam uma parte sem nada de produto. Recebem então radiação ultravioleta. Depois de certo tempo, a parte sem produto começa a ficar vermelha. Depois de mais algum tempo, a parte com produto também começa a ficar vermelha. O FPS é a medida de quantas vezes mais tempo levou para a área com produto ficar vermelha em relação à área se produto.

Ex.: a área sem produto começou a ficar vermelha com 10 minutos de exposição. A área com produto, 150 minutos. 150 minutos são 15 vezes mais do que 10 minutos. Portanto, o FPS deste produto é 15.

O cálculo do FPS, é claro, não é feito baseado apenas em uma pessoa. É uma média entre várias pessoas.

Quais os fatores de proteção solar (FPS) são os mais indicados?

Para uso diário, usar FPS abaixo de 15 é jogar dinheiro (e tempo) fora. A proteção é tão insignificante que não vale o trabalho! Acima de 30, é interessante para pessoas com pele extremamente claras, ou com tendência a câncer de pele. Para o resto, entre 15 e 30 é suficiente (mas prefira o 30!). Isso inclui pessoas negras.

Mitos e verdades

"Vou passar mais protetor, porque o sol está muito quente!". Não é o calor do sol que queima a pele! São os raios ultravioleta, que você não sente até aparecerem as queimaduras.

"O mormaço queima.". Não é o mormaço que queima. É o sol, mesmo. Ou melhor: como sempre, são os raios ultravioleta B. Tem-se a impressão que, por não sentir o sol, não teria porque queimar, então o mormaço seria o responsável. Mas você já sabe que não!

"É importante tomar sol sem protetor". É verdade, mas por curtos períodos (uns 15 minutos), no início da manhã ou final da tarde, e até umas 3 vezes na semana. Isso ajuda na produção de vitamina D pela pele.

É tecnicamente errado dizer, quando a pessoa volta da praia mais morena: "Nossa, como você ficou queimadinha!". NÃO!!! Ela ficou bronzeada! Se ela ficou "queimadinha", então estará toda vermelha!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

De onde vem o calor do nosso corpo?

Quando eu era criança, pensava comigo, algumas vezes, de que forma seria produzido o calor de nosso corpo. Será que haveria algum "fogo interno"? Afinal, como é gerado o calor do corpo humano?

A resposta é relativamente simples, entretanto o perfeito entendimento do assunto depende de uma explicação mais complexa, porém extremamente interessante!

Energia

A primeira coisa a saber é que o calor é uma forma de energia. E energia não é algo fácil de se descrever. Alguns físicos dizem que a ciência não pode definir energia. Associa-se energia à capacidade de produzir um trabalho ou realizar uma ação. E a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. Vamos exemplificar: uma lâmpada não funciona se não estiver ligada na rede elétrica. Ela precisa de energia (no caso, energia elétrica) para funcionar. A energia elétrica passa pela lâmpada e se transforma em luz (energia luminosa) e calor (por isso as lâmpadas ficam quentes quando estão acesas).

Assim também acontece com o corpo humano. Mas antes, mais um exemplo para facilitar o entendimento: Pense num carro comum. Ele precisa de combustível (geralmente gasolina ou álcool) para andar. As ligações químicas dos combustíveis contêm grande quantidade de energia armazenada (chamada energia química). Quando acionamos o motor, um pouco do combustível é misturado com o oxigênio do ar, comprimido, e exposto a uma faísca, que faz explodir esta mistura. A explosão é a transformação da energia química em movimento (energia cinética) e calor (por isso o motor fica quente).

No nosso corpo, o calor é gerado da mesma forma que nos carros. Nosso combustível são os alimentos, especialmente os carboidratos (energia química). Eles serão transformados em glicose, que, ao ser oxidada, permitirá a formação de uma molécula chamada ATP (trifosfato de adenosina). o ATP possui ligações químicas bastante energéticas. Para realizarmos qualquer tarefa (andar, falar, respirar, mexer, pensar), precisamos usar a energia do ATP. Quando necessitamos de energia, quebramos a molécula de ATP e usamos a energia liberada para executarmos as tarefas. Porém, assim como no motor do carro e nas lâmpadas, uma parte da energia se transforma em calor. Resumindo, o calor de nosso corpo vem da quebra das ligações de ATP, que acontecem o tempo todo! Por isso, nosso corpo esquenta quando estamos correndo: se precisarmos de mais velocidade, precisamos de mais energia, quebramos mais moléculas de ATP, que por sua vez liberam mais calor! Quando temos febre, o corpo está produzindo mais calor e evitando que ele "vaze" para o ambiente...


CURIOSIDADES


  • Como já foi dito anteriormente, o calor é uma forma de energia. Mas o frio não existe! Como assim??? Quando alguma coisa está quente, significa que ela tem mais calor que outra que está mais fria. Quando alguém que está com as mãos quentes esquenta as mãos de alguém que está com elas frias, o que acontece é a perda de calor da mais quente, e ganho de calor da mais fria. Não é o "frio" que passa de mãos, e sim o calor. Portanto, minha avó estava errada quando dizia: "Cuidado, é perigoso deixar a friagem entrar nos ossos"!!! Ela deveria dizer: "Cuidado, não deixe seus ossos perderem calor para o ambiente"...
  • O calor existe a partir do chamado zero absoluto, a temperatura mais baixa possível, na qual um corpo não teria energia alguma, que é de -273,15 °C. Acima disso, por mais "gelado" que seja, já existe calor.
  • Do ponto de vista da Física, é errado falarmos : "Nossa, como está calor, hoje!". O correto seria: "Nossa, como está quente, hoje!". Calor é uma forma de energia, não um parâmetro de temperatura.
  • Quando sentimos frio, significa que estamos perdendo calor. E quando sentimos "calor", significa que nosso corpo está ganhando calor.



Obs.: Os assuntos aqui tratados foram extremamente simplificados para permitir um maior entendimento do assunto por pessoas leigas nas áreas abordadas. Se alguém por ventura quiser explicações detalhadas, deverá procurar sobre o assunto em outros lugares.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Por que o Berotec acelera o coração? Isso é realmente perigoso?

Para entendermos esse efeito do Berotec, além de diversos efeitos principais e colaterais de muitos medicamentos, precisamos entender um pouco sobre a adrenalina.

O que é adrenalina?

Para muitas pessoas, esta pergunta tem como resposta: "uma sensação diferente, como a que se tem quando se salta de para-quedas ou bungee-jump". O que essas pessoas provavelmente nem desconfiam, é que a adrenalina é um hormônio produzido pelo nosso organismo e de diversos animais, que nos prepara para situações de perigo (reais ou não).

Fuga ou Luta

A adrenalina é chamada de hormônio de fuga ou luta, pois prepara nosso corpo para situações de emergência.

Vamos imaginar a seguinte situação: você está passeando tranquilamente em uma savana africana quando, de repente, sente um bafo quente em seu cangote. Você vira para trás e... um leão enorme está ali, olhando pra você! O que você sente neste momento? Um medo muito grande claro, mas o que acontece no seu corpo? O coração dispara, a pele fica pálida, a respiração ofegante... O que você pode fazer agora? Lutar com o leão, ou fugir dele (a não ser que você seja muito louco, a única opção existente é fugir)! Então, todos estes efeitos foram desencadeados pela adrenalina! E exatamente pra preparar seu corpo pra lutar ou fugir.

O coração dispara para bombear mais sangue para os músculos, que serão muito exigidos; os brônquios se dilatam, para permitir maior passagem do ar, e assim melhorar a oxigenação do organismo; as pupilas se dilatam, para permitir maior entrada de luz, e assim enxergarmos melhor; a pele fica pálida, pois os vasos sanguíneos se contraem, permitindo que mais sangue possa ir onde é mais necessário no momento (e a pele não é); a boca fica seca, já que não necessitamos de produção de saliva neste momento (afinal, quem vai comer alguma coisa fugindo de um leão?); relaxamento dos músculos lisos, como o estômago e o intestino, pois a digestão, neste caso, fica para segundo plano. Esses efeitos são desencadeados após o cérebro perceber a situação de "perigo", enviando um sinal para as glândulas supra-renais, que injetarão a adrenalina no sangue. O sangue circula por todo o corpo, mas a adrenalina fará efeito apenas em determinados órgãos. Por quê? Porque estes órgãos têm locais específicos para receber a adrenalina: são os chamados receptores. Os receptores de adrenalina dividem-se em 2 grupos principais: alfa (1 e 2) e beta (1, 2 e 3). Após ligar-se a estes receptores, a adrenalina produzirá seus efeitos.

Com isso, fica claro o funcionamento (e efeitos colaterais) do Berotec e de diversos medicamentos! Como?

Vejamos:

O Berotec tem como finalidade tratar a asma, bronquite e outros problemas respiratórios que causam o fechamento dos brônquios. Ele age promovendo uma dilatação dos brônquios contraídos. Lembram-se do que foi dito a respeito da adrenalina? Ela também dilata os brônquios, para permitir uma maior passagem de ar! O que o Berotec faz é "simular" a ação da adrenalina, ou seja, vai chegar aos receptores da adrenalina, e vai promover a dilatação dos brônquios. Porém, vimos que a adrenalina também acelera o coração. E qual o mais temido efeito colateral do Berotec? Acelerar o coração! Coincidência? Claro que não!

Outro exemplo: o Buscopan. Ele é usado para o alívio de cólicas menstruais, intestinais, dores estomacais, etc. Como ele funciona? Relaxando a musculatura lisa (útero, estômago, intestino). Efeito semelhante ao da adrenalina! Quais os possíveis efeitos colaterais? Dilatação das pupilas, boca seca...

Estes dois exemplos foram de medicamentos que "simulam" a adrenalina. Mas existem medicamentos que têm efeito exatamente oposto: bloqueiam a ação da adrenalina.

Um exemplo disso são alguns medicamentos para controle da hipertensão, arritmia cardíaca e até mesmo enxaqueca, chamados de beta-bloqueadores, como o atenolol, propranolol, etc. São chamados de beta-bloqueadores porque bloqueiam os receptores beta. Quando a adrenalina se liga aos receptores beta de vasos sanguíneos, ou do coração, provoca a contração dos vasos e aceleração do coração. Ao impedir que ela se ligue a esses receptores (bloqueio), estes efeitos não serão provocados .


Mas, e afinal, é perigoso o Berotec acelerar o coração?

Na verdade, dentro das doses recomendadas, não! O fato de o coração acelerar, por si só, não é um perigo. Isto acontece o tempo todo: quando tomamos um susto, praticamos atividades físicas, etc. Seria perigoso caso o paciente tenha algum problema cardíaco, onde qualquer tipo de esforço cardíaco seria contra-indicado. Ou caso haja uma superdosagem do medicamento. Caso contrário, não há motivos para preocupações.


Curiosidades:


  • A adrenalina possui um sinônimo bastante utilizado: epinefrina

  • A adrenalina recebe este nome porque, em animais quadrúpedes, é produzida pelas glândulas adrenais (ad = ao lado, portanto, ao lado dos rins). E epinefrina porque, em humanos (bípedes) esta glândula fica acima dos rins (do grego epi = acima, e nefros = rins)

  • A adrenalina possui uma "irmã" muito parecida, a noradrenalina (ou norepinefrina), que é responsável por muitos dos efeitos mencionados neste artigo. Os receptores citados possuem diferentes afinidades  por estes dois hormônios.




Obs.: os assuntos deste artigo foram tratados de maneira bastante simplificada, para facilitar a compreensão do tema por pessoas que não possuem conhecimentos na área da saúde.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mãos e pés descascando - Causas e Tratamentos

Verifiquei, pelo número de acessos ao artigo que escrevi em meu blog sobre o mito de que mãos e pés descascando poderiam ser sinal de ácido úrico elevado, que muitas pessoas procuravam informações sobre o que acontece e como tratar. Pois então, resolvi escrever este novo artigo, tratando destes assuntos!

Causas

A descamação de mãos e pés pode ser um sintoma comum a diversos processos inflamatórios da pele: alergias, dermatites (alérgicas ou não), psoríase, micoses, pele seca. Alguns medicamentos, como os quimioterápicos, podem provocar descamação como efeito adverso. E também a disidrose, em estágios avançados, pode causar descamação. E até mesmo o excesso de suor nestas regiões pode contribuir para o aparecimento de problemas que levam à descamação da pele.


Tratamentos

Claro que as coisas não poderiam ser tão fáceis assim! Como existem diversas causas para o aparecimento da descamação da pele das mãos e pés, também existem diferentes tratamentos, para cada tipo. Corticoides são utilizados em alguns casos, antifúngicos em outros, hidratantes... Até mesmo o famoso Botox pode ser utilizado quando se necessita diminuir a sudorese. Mas o que é mais importante, é que somente o DERMATOLOGISTA vai identificar a causa, e prescrever o tratamento correto. O tratamento errado pode causar uma piora na situação! CUIDADO!



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Remédios para tosse

"Que remédio é bom pra tosse?" "Tem remédio pra tosse?"

Estas perguntas são clássicas nas farmácias! O problema: a tosse pode ser causada por diferentes fatores. E é muito importante saber sua causa, e se ela é produtiva (produz secreção =catarro), ou improdutiva (tosse seca, sem catarro). O tratamento correto depende do tipo da tosse.

A tosse é um mecanismo que nós possuímos para limpar as passagens de ar em nossas vias aéreas. Poeiras, secreções, bactérias, vírus, fungos, e até comida(!!!) que vai pro lugar errado! Portanto, ela é um reflexo natural de defesa do organismo.

A tosse produtiva é causada pelo aumento da produção de muco, que por sua vez é causado por infecções respiratórias, como os resfriados em fases mais avançadas, poluição, fumo, etc. Esta tosse aparece para expulsar dos pulmões e das vias aéreas o muco (catarro) produzido em excesso. Por isso mesmo, não podemos tomar medicamentos que parem este tipo de tosse. Se pararmos com ela, o muco pode ficar retido nos pulmões, levando a uma série de complicações. Neste caso, devemos usar medicamentos que fluidifiquem as secreções, e que facilitem a expectoração. Agora ficou fácil! São os expectorantes! Alguns dos mais comuns são a N-acetilcisteína (ou apenas acetilcisteína), carbocisteína, guaifenesina, ambroxol, etc, cujos nomes comerciais são Fluimucil, Mucofan, Mucolitic, Xarope Vick, Mucosolvan, etc.

Já a tosse seca é normalmente causada por diversos motivos que, em comum, causam uma irritação nas vias aéreas. O início de resfriados, alergias, gripe, poeiras, ar extremamente seco, produtos químicos, entre outros, costumam ser os causadores da tosse seca. Muitas vezes, ela provoca uma sensação de coceira na garganta. É um tipo de tosse considerado inútil, já que não contribui para a limpeza das vias aéreas, e causa bastante incômodo, não apenas para quem a tem, mas também para quem está por perto. Nestes casos, podemos lançar mão de medicamentos que diminuem a frequência da tosse: os antitussígenos. Eles agem inibindo o reflexo da tosse, e os mais comuns são a dropropizina (Vibral), clobutinol + succinato de doxilamina (Silomat Plus, que não existe mais; Hytos Plus) e dextrometorfano. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de codeína. Em tosses de origem alérgica, medicamentos anti-alérgicos podem ser administrados em conjunto com os antitussígenos, ou isoladamente. Um dos mais utilizados neste caso é o maleato de dexclorfeniramina (Polaramine).

Alguns medicamentos associam antitussígenos com expectorantes, porém essa associação não tem consenso entre a classe médica, já que não adiantaria fluidificar o catarro, e não tossir para expectorá-lo. Ex.: Xarope Vick 44E e Expec.


Curiosidades:

- Medicamentos para tratamento da hipertensão (pressão alta), da classe dos IECA (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina), como o captopril e o enalapril, podem causar tosse seca como um de seus efeitos adversos.

Esterofilia é a condição de adorar o som da tosse ou espirro. Se uma pessoa parece estar gostando de tossir ou espirrar alto em público - ela pode ter uma simples alergia - ou pode ser possivelmente um esterofilíaco. Tem gosto pra tudo!!!

Para finalizar, como já disse em outros posts, NUNCA TOME MEDICAMENTOS POR CONTA PRÓPRIA! Vá ao médico ou, pelo menos, peça orientações a um farmacêutico.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Posso cortar comprimidos?


Muitas pessoas já se depararam com esta situação: "preciso tomar metade da dosagem deste comprimido. Posso cortá-lo ao meio e tomar só uma das partes?"

A resposta é: depende.

Na verdade, a resposta correta seria NÃO. Porém, sabemos que existem casos em que, clinicamente, não há diferenças significativas entre tomar um comprimido de 50mg, por exemplo, ou metade de um de 100mg. Todavia, devemos saber que, por mais preciso que seja o corte do comprimido, sempre haverá uma perda do princípio ativo. Sem contar que não obrigatoriamente haverá a mesma quantidade deste principio ativo nas duas metades. E isso acontece mesmo em medicamentos que tenham um sulco para facilitar o corte, e que você use um cortador de comprimidos. Num comprimido de 100mg, poderíamos ter uma metade com 48mg e outra com 52mg (sem considerar as perdas). Como já dissemos, para alguns tipos de medicamentos esta diferença não seria significativa. No entanto, em muitos casos, seria.

Até agora, tudo o que dissemos é válido apenas para os medicamentos em comprimidos comuns, sem revestimento. Os comprimidos revestidos, incluindo aqueles com liberação modificada (XR, SL, SR, AP, etc), JAMAIS podem ser partidos! Isso modificaria a velocidade de absorção pelo organismo dos princípios ativos destes comprimidos, o que poderia levar a sérios efeitos colaterais.

Sempre que houver a necessidade de partir um comprimido, pergunte antes a seu médico ou farmacêutico se isso é possível no seu caso! NÃO PARTA COMPRIMIDOS SEM TER A CERTEZA DE QUE É SEGURO FAZER ISSO!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Colesterol Bom X Colesterol Ruim

Existe realmente "colesterol bom" e "colesterol ruim"?

A resposta é: NÃO! Colesterol só existe um!

Você deve estar pensando: "Esse cara é louco! Meu médico falou que meu colesterol ruim está muito alto!". Ok, ele realmente falou isso. Mas isso é apenas uma maneira simplória para explicar algumas coisas que acontecem no nosso organismo, e que também acaba levando a algumas interpretações erradas. Explico mais adiante.

Em primeiro lugar: O que é o colesterol?

É uma substância produzida apenas pelos animais (plantas produzem uma substância quimicamente parecida com o colesterol, e que não é absorvida pelo corpo humano). Tem diversas funções importantes no corpo, como a formação da bile, a produção de certos hormônios, de vitamina D, além de ser fundamental para a estabilidade e fluidez de membranas celulares, etc.

O colesterol é, quimicamente falando, um tipo de álcool. Mas tem características de gordura. Você certamente sabe que gorduras (como os óleos) e água não se misturam. Talvez você saiba também que nosso sangue é formado, em grande parte, por água. Então, como o colesterol circula pelo sangue?

Para circular pelo sangue, o colesterol e todas as outras gorduras precisam estar ligadas a substâncias que possam se misturar à água do sangue. Essas substâncias são as lipoproteínas. Existem 5 grandes grupos de lipoproteínas: quilomícrons, VLDL, LDL, IDL e HDL. As principais, que aparecem na maioria dos exames, são a LDL (Low-Density Lipoprotein ou Lipoproteína de Baixa Densidade) e a HDL (High-Density Lipoprotein, ou Lipoproteína de Alta Densidade).

Aí é que está o problema!

Como já foi dito, colesterol só existe um. A diferença é o que transporta  o colesterol. O que é chamado de "colesterol ruim" é, na verdade, a LDL, e o "colesterol bom", a HDL. Estas lipoproteínas recebem estes nomes por transportarem o colesterol, e também porque os exames solicitados pelos médicos para o doseamento delas no sangue são HDL-colesterol, LDL-colesterol, colesterol total e colesterol-frações. O colesterol total é a soma da HDL e da LDL (podendo, em alguns casos, incluir também a VLDL), e o colesterol-frações é o valor de cada uma delas, individualmente.

Como eu disse no começo deste artigo, esta nomenclatura pode levar a interpretações erradas. Por exemplo, você tem colesterol alto, e vê no rótulo de um alimento que este não contém colesterol. Aí você pensa: "Ah, isso eu posso comer à vontade! Não tem colesterol!". Porém, este mesmo alimento é rico em gorduras saturadas. As gorduras saturadas provocam um aumento na LDL (o "colesterol ruim", lembra?). Este tipo de gordura é o pior para o nosso organismo.

Já as gorduras poliinsaturadas ajudam a baixar a LDL, e são muito melhores do que as saturadas. E as gorduras monoinsaturadas, que são as mais saudáveis, além de baixar a LDL, aumentam a HDL, o que é excelente! Este tipo de gordura é abundante no azeite de oliva, por isso ouvimos dizer sempre que este óleo é muito saudável!



quinta-feira, 1 de março de 2012

Dipirona X Novalgina

É muito comum acontecer de clientes solicitarem dipirona e, na falta dela, oferecermos o medicamento de referência, a Novalgina, como substituto. E muita gente responde: "Não! Eu não posso tomar Novalgina! Me faz muito mal! Só posso tomar dipirona...". Assim acontece também com outros medicamentos, como o Anador, Magnopyrol, etc. Todos eles têm a dipirona na fórmula! Dipirona NÃO é o nome de um medicamento, e sim da substância que faz o efeito dentro deste medicamento (princípio ativo). É engraçado ver que a maioria das pessoas nunca presta atenção no que está tomando. Percebo isto pelo espanto delas ao serem informadas de que Novalgina é dipirona! Dipirona sódica é o nome genérico, cujo medicamento de referência é a Novalgina. Isto significa que dentro das mesmas apresentações (comprimidos, gotas, etc), pode-se trocar um pelo outro com segurança.

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